
Parauapebas era uma cidade que andava de nariz empinado. Era a cidade do progresso punjante em meio ao atraso do sudeste paraense. Olhava as cidades em volta com ar de superioridade. Achava que tinha a melhor educação, a melhor saúde e a melhor infraestrutura da região. O segredo estava nos polpudos “royalties” recebido da VALE que transbordavam dos cofres do municipio como água. Como um trem, puxava o vagão do progresso, atraindo pessoas de todo Brasil. Maranhenses, paulistas, mineiros e goianos corriam para pegar carona no vagão.
Súbito, o dinheiro foi rareando. Descobriu-se que não era muito diferente das cidades que esnobava.
Antes, ao olhar as noticias, se enxergava má gestão e picaretagem. A cidade dos minérios converteu-se em terra da corrupção, da canalhice, da falcatrua, da sujeira. Hoje, a cidade anda de cabeça baixa.
Pior educação, pior saúde e pior infraestrutura que ainda fustiga os moradores, apesar das promessas das várias gestões que passaram. Canaã dos Carajás, que possui oficialmente 3 vezes menos habitantes, apresenta uma saúde de qualidade e uma educação de fazer inveja a muitas capitais.
Tirando algumas excessões, vemos uma câmara municipal inerte e totalmente apática frente a ações temerárias do executivo, como a criação de cargos comissionados que afrontam o bom senso e desafiam a lógica, assim como a suspensão das aulas que comprometerá o futuro de milhares de estudantes que recorrem a rede pública de ensino da cidade.
Com pressa de mostrar algo para mostrar nos 100 dias, Aurélio Goiano conta com a invejável paciência dos parauapebenses. A cidade possui a estranha vocação para a espera e já se acostumou ao papel de figurante pós-eleitoral. Votam esperando o cumprimento de promessas de campanha, mas apenas observam as decisões que nem de longe se parecem com o que se ouviu nos comícios.
Os eleitores, aos poucos, vai percebendo que muito pouca coisa mudou. Governar com a garganta não trará resultados e a boa vontade do povo que anseia por resultados vai rareando. A locomotiva do progresso pintado em campanha pelo Aurélio não esperará muito tempo na estação. Carregada de promessas e sonhos vendidos em campanha precisa partir, levando os passageiros que pagaram com o voto o bilhete para embarcar.
A julgar pela composição da Câmara de Vereadores e pelos desmandos observados na prefeitura em tão pouco tempo, veremos que não faltará matéria prima para a oposição.
Caso se coloque a mão na consciência, se entenderá que Parauapebas está afundando rápido, e chegou a hora de buscar soluções.

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