MARIONETE EM PAU D’ARCO?

No século XVI, o termo “eminência parda” era usado para se referir a uma pessoa que, mesmo sem cargo de mando, exercia enorme interferência no governo de forma discreta (ou nem tanto). Com essa comportamento, Richelieu conseguia mandar e desmandar no reinado de Luis XIII, um monarca sem voz política.

Geralmente essa influência era conseguida por 2 motivos: O governante era fraco demais ou tinha o “rabo preso” com o manipulador.

Em pleno século XXI, Pau d’Arco tem o seu Cardeal Richelieu, que atende pelo nome de Antônio Santana Morais, e que para os mais íntimos atende pelo apelido de Toni Morais.

Desconhecido da maioria dos munícipes, aparece como uma figura discreta na campanha, mas que hoje praticamente manda na cidade.

Após os festejos de final de ano e no acender das luzes de 2025, o primeiro ato do Sr. Domingos Guedes Neto (mais conhecido como Domingos Enfermeiro) ao se levantar da cama foi entregar as chaves do cofre da cidade ao Toni Morais como o novo e poderoso Secretário de Finanças e Fazenda, através da Portaria nº 001/2025 no dia 02 de janeiro.

Confusos, os cidadãos se perguntaram: Quem é Toni Morais?

Oriundo da distante Canaã dos Carajás, foi apresentador do “Balanço Geral” e se apresenta também como empresário. Mas isso não é o suficiente para explicar o porquê do prefeito buscar tão longe um secretário de finanças, cargo de elevada responsabilidade e confiança.

Analisando as contas do prefeito no site do TSE, vemos que Toni Morais foi a pessoa física que aportou muito dinheiro na campanha de Domingos Enfermeiro, ajudando-o financeiramente. (https://divulgacandcontas.tse.jus.br/divulga/#/candidato/NORTE/PA/2045202024/140002298962/2024/04308/prestacao/receitas)

Nos corredores da prefeitura, já se ouve o inconformismo nas falas de muitos aliados e de gente que ao gastar sola de sapatos para angariar votos, pegou sol na cara e chuva na cabeça durante a campanha nas ruas da cidade e estão sendo esquecidos da participação de governo.

-Se os compromissos assumidos de nada valem para o Domingos, porque eu devo cumprir os meus?

O que antes eram tapinhas nas costas e convites aos aliados de primeira hora para participarem da estrutura de governo, virou promessas vazias. Ao ser cobrado, o afônico Domingos empurra as decisões com a barriga e oferece um futuro nebuloso que nem ele sabe precisar. As palavras que mais saem de sua boca para os aliados são as enigmáticas “ talvez”, “vou pensar”, “vamos esperar”, semeando desconfianças sobre a efetividade dos compromissos assumidos e de sua capacidade de decisão. Ele realmente administra ou é administrado? , pergunta alguns.

Hoje, participar do pensamento e da inteligência da gestão de Pau d’Arco já está praticamente descartada pelos antigos aliados. Alguns já se conformaram com a indiferença e ingratidão e dão de barato que dor de barriga não se dará apenas uma vez. Outros nutrem em seu coração a desforra que será dada em breve.

Assim como no futebol, Domingos esquece que ele não teria chegado sozinho à prefeitura sem toda uma estrutura anterior que antecede o gol —o clube, a equipe médica, o preparador físico e o time em campo, armando a jogada que levará ao gol. Na política é a mesma coisa. Reciprocidade é o que se espera.

Falta ao ingrato Domingos algo que se pareça com um rumo que traga para junto de si às pessoas que o ajudaram. Resta saber por qual dos dois supostos motivos que a eminência parda consegue tanta ascendência sobre ele.


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