
Logo no início do ano, circulou nos meios de comunicação uma brincadeira jocosa, onde supostamente um cavalo de tróia tinha sido colocado na Câmara de Vereadores da capital do minério. Muitos desavisados cairam na pegadinha e realmente acreditaram que o eqüino teria sido transportado por algum gaiato e posicionado bem aos olhos dos vereadores, mas a verdade é que se tratava de uma montagem feita por algum bem humorado morador.
Tirando a criatividade de lado, a foto traz uma mensagem inquietante para o novo prefeito, onde uma armadilha está sendo gestada dentro de seu governo. Numa espécie de “higienização”, Aurélio Goiano entendeu que ao demitir pessoas que fizeram parte do governo anterior, a sua gestão estaria com a imagem totalmente dissociada dos maus feitos da gestão Darci & Cia e ao colocar pessoas de sua confiança, imprimiria um ritmo de eficiência pra a solução dos inúmeros problemas que nossa cidade enfrenta.
Como o cavalo de madeira não cavalga, nem em seus mais profundos sonhos Aurélio Goiano imagina que muita gente que o circunda possui fortíssimos laços com a gestão passada, criando uma espécie de “Cavalo de Tróia” em cuja barriga abriga concursados e contratados em cargos chaves dentro da Administração (notadamente na saúde), e que pintam um quadro que melhor lhes convém, passando informações totalmente enviesadas.
Sussurando nos ouvidos dos novos e inexperientes gestores, os troianos os convencem de quais fornecedores ficam e quais devem sair, quem é o servidor de confiança e qual servidor não é, criando uma espécie de cordão sanitário factual à sua volta, encobrindo erros e criando um ambiente propício à contratação de empresas “amigas”. Gente boa e experiente estão sendo vítimas de uma verdadeira “caça as bruxas”, onde o resultado mais visível são servidores insatisfeitos pedindo transferência para outras secretarias, inutilizando anos de experiências.
Assim, quando Aurélio Goiano se apropria de uma notícia, os fatos se perdem, misturando números e tecendo sobre eles uma falsa equivalência de que a contratação de cerca de 600 pessoas resolveriam os problemas da cidade. Ao acreditar que as mazelas da gestão Darci era em função da influência nefasta e infernal dos servidores “demônios”, Aurélio criou cerca de 600 cargos com o intuito de exorcizar a prefeitura. Parauapebas convive com sobra de incompetentes em cargos chaves, e não o contrário.
Ao emprestar seus ouvidos a esses troianos, Aurélio escolhe seu próprio caminho para o inferno e o força a conviver com os demônios por pelo menos mais quatro anos e a Câmara inerte assiste tudo sem nada fazer.
O radicalismo do atual prefeito reduz a sua política a uma decisão sobre até onde Aurélio está disposto a conversar com o Diabo.

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