
Ontem, Aurélio Goiano completou 30 dias a frente do Governo. Em 30 dias de governo, Aurélio apontou para o horizonte e mostrou aos eleitores que Parauapebas pode se tornar uma cidade melhor para se viver, que os “jabutis” que habitavam as secretarias e drenavam recursos e nada faziam podiam ser retirados dos galhos da administração, que as relações com a população desesperançosas podiam ser reatadas e que políticas públicas que a muito tempo não se via serem restauradas. Não foi pouca coisa, mas na área da saúde, o governo teve um mau começo e operou com a barriga. Nessa área, nem sinal de melhora. Como dito aqui, o prefeito busca um projeto pra deixar de pé e entregar para a população.
Na área de infraestrutura, muitas ações efetivas foram levadas à população como operação buraco zero, mutirão de limpeza e abastecimento de água em alguns bairros. Muita coisa terá que ser feita (e refeita) em uma cidade que está praticamente destruída. Nos últimos 8 anos, Parauapebas ficou praticamente abandonada, com lixo acumulado, falta de água nas torneiras e buracos por toda a parte. Pelo que se observa, se depender do Secretário Roginaldo Rocha, que está a frente da secretaria de obras de Parauapebas, os “nós” na infraestrutura da cidade será solucionado.
As ações realizadas em prazo tão curto demonstram uma sensibilidade ímpar frente aos problemas da cidade e resolutividade espantosa. A surpresa positiva na SEMOB é digna de nota. O que era pra ser motivo de orgulho pode se tornar uma ciumeira generalizada do resto do secretariado e dor de cabeça para o secretário Roginaldo. Se todos secretários tiveram os mesmos 30 dias para entregar algo, porque apenas Roginaldo sozinho consegue fazer tanto em tão pouco tempo e outros nada conseguem?
Essa é só parte do problema. O resto do secretariado precisa urgentemente arrumar um plano que mostre ao prefeito Aurélio Goiano e aos eleitores que podem construir alternativas para solucionar os problemas que todos sabem muito bem e foram amplamente alardeados na campanha.
A saúde no entanto, continua na UTI. Deve-se ao Darci boa parte da septicemia que paralisa a saúde. Foi ele quem criou a fábula de que terceirizar a saúde seria a solução ideal para a cidade, mesmo tendo duas experiências anteriores que se mostraram danosas. Foi no governo dele que foi gestada essa “maravilhosa” idéia que foi levada a cabo pelo ex-secretário de saúde Gilberto Laranjeiras.
Ainda que a população dispusesse de uma paciência de Jó e que o secretário de saúde Marcos Vinícius se mostrasse um gestor impecável do fabulário do Darci, Aurélio Goiano ainda teria de responder às seguintes perguntas: o que pretende fazer com a ASELC? O que o gestão da ASELC tem a oferecer além de mais mortes e descaso?
Todo mundo lembra o que Aurélio propunha na campanha do ano passado. Fingir que não tem nada a ver com a encrenca plantada pelo Darci na terceirização do HGP, pode até ajudar, mas não é uma solução para os problemas na saúde. Antes, se viam questionamentos por parte do Aurélio (aqui) e da atual secretária de educação, Maura Paulino (aqui) à gestão do HGP. Em atitude inédita, o atual secretário teve que realizar uma cirurgia de urgência em uma paciente que, segundo ele próprio, estava aguardando o procedimento a muito tempo.

Súbito, as críticas sumiram e a administração da ASELC é motivo de orgulho, com inauguração do setor de neurologia. O que mudou em 6 meses? Os serviços melhoraram ou a narrativa mudou?
As críticas que incidem sobre a área da saúde são muito mais complicadas porque exigem uma série de ações que limitam o governo a coisas que transcendem a sua própria vontade e articulação política.
A terceirização da saúde deveria ser motivo de vergonha para um secretário de saúde de qualquer lugar do mundo. A partir do instante em que, incapaz de elevar a própria estatura, o secretário Marcos Vinícius rebaixa o teto de sua competência ao admitir a terceirização do HGP e praticamente assumir que não tem autoridade para geri-lo.
Na área da educação (tão ou mais sensivel aos humores do eleitorado) vemos aulas suspensas, uma temeridade.
Assim, os desafio do prefeito de Parauapebas é se distanciar de tudo que a gestão passada simboliza. Ele conseguiu estabelecer algumas diferenças, mas resta saber se conseguirá se desvencilhar dessa tentação que é o fisiologismo e a demagogia. Até aqui, vemos que ele ainda está com um pé nessa canoa. É hora de descer do palanque e começar a trabalhar. Talvez seja a hora dos outros secretários se dirigirem a Rua Rio Dourado e se aconselhar com um certo engenheiro civil que atende pelo nome de Roginaldo.
A marca do governo Aurélio, segundo palavras dele próprio, está clara: ser a antítese perfeita do governo Darci. O discurso é um, mas as ações estão entrando em uma perigosa rota de colisão.

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