
Quando vereador, Aurélio Goiano fazia pose de candidato e vivia entrincheirado na Câmara com um estilingue nas mãos, e com uma excelente pontaria fazia barulho e jogava pedras nos telhados de vidro da gestão Darci. De colete nas ruas, o fiscal do povo não precisava rodar muito na cidade atrás de mal feitos, impressionando os eleitores pela facilidade em encontrar soluções para tudo de uma maneira tão didática.
Cassado injustamente, parecia que estava fadado a cumprir um destino: Ser prefeito.
E como prefeito se transformou numa fatalidade. Com uma vitória esperada, quitou a fatura logo no primeiro turno e inesperadamente uma espécie de sensação de invulnerabilidade misturada com jactância se manifestou.
Como um erro sempre pode ser aperfeiçoado, Aurélio em apenas uma canetada assombrou todos ao criar 595 cargos em apenas 7 dias, talvez acreditando que resolveria todos os problemas da cidade torrando o dinheiro do contribuinte. Como os fantasmas só aparecem para quem se apavora com eles, o susto veio rápido com o barulho de uma oposição atenta e com a materialização nada ectoplasmática num pedido de explicações de uma conhecida figura de carne e osso que atende pelo nome de Juiz Lauro Fontes Júnior.
Se levarmos em consideração os últimos desdobramentos, supomos com alto grau de acerto que as explicações não convenceram o magistrado. Como um acerto dificilmente pode ser melhorado, o Juiz Lauro Fontes virou excessão a essa regra e suspendeu as nomeações pornográficas na tarde de hoje (12/02/2025). Nas entrelinhas de sua decisão, dentre outras coisas, sussurrou que possíveis crimes estavam em seu radar e poderiam ser objeto de apuração.
Ao se despir do colete e jogar o estilingue no chão, Aurélio saiu do serpentário da Câmara e se acomodou na cadeira que está bem atrás da vidraça que antes atacara ferozmente. Como no sonho de Nabucodonosor, o antes gigante feito de ouro, ferro e bronze mostra aos poucos que seu pé são feitos totalmente de barro e nada mais.
O mais assombroso nesse caso nem é o destemor das decisões de quem acha que pode tudo, mas sim o amadorismo das ações tomadas pelo executivo. Para quem dispõe de 55 advogados para auxiliá-lo nas questões legais, presume-se que Aurélio Goiano está muito mal assessorado ou que não está dando a devida atenção aos nobres causídicos.
Se em apenas 7 dias um time de 55 advogados gestou uma completa aberração jurídica, é preocupante o que nos espera ao fim de 4 anos de governo. Considerando que magistrados não recebem insalubridade em seus contracheques, talvez seja a hora do Juiz Lauro Fontes se preparar para o desgastante trabalho que terá pela frente de copiar e colar as decisões anteriores. Cedo ou tarde o Juiz Lauro terá uma sensação de “déjà-vu” dos desmandos desta gestão com as anteriores.

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