SEM RUMO

Quando Aurélio Goiano se elegeu prefeito em 2024, Parauapebas sofria basicamente com dois problemas: o excesso de lama moral na administração e a falta de projetos. Decorridos 43 dias desde a abertura das urnas, Parauapebas continua imersa no lodo, mas a boa notícia e que já dispõe de um rumo. Contrariado e incorporando a imagem de onça implacável, Aurélio injetou a bile reservada aos “caititus” da administração passada. Enxergando sombras em todo canto, persegue e discrimina quem fazia parte do antigo governo, incluindo nessa conta os servidores públicos, caminhando peremptoriamente para o rumo do brejo.

Em discursos na Câmara e entrevistas, Aurélio sugeriu vários caminhos e soluções diferentes para Parauapebas: A cidade precisa de “moralização”, declarava.

Via a necessidade do prefeito se aproximar do povo e ser sensível aos desafios da gestão catastrófica do Darci. Criticava o nepotismo escancarado, a criação de cargos e desmandos na administração. Evidenciava a falência da terceirização da saúde e pregava a valorização do funcionalismo público. O Aurélio-candidato proclamava o óbvio. Mas o óbvio e o Aurélio-prefeito são coisas inconciliáveis hoje.

O mesmo Aurélio que beijou o discurso da eficiência e moralidade para virar prefeito em 2025 agora afugenta pessoas extremamente capacitadas com seu discurso radical e persercutório. Sem gente capacitada à altura dos desafios que a cidade apresenta, acredita que quantidade de pessoas se sobrepõe a qualidade.

Numa conjuntura em que pede moralidade, a divindade operou para reconduzir Herlon Soares da Silva, para o cargo de SEMURB, pendurado com uma condenação de 4 anos e seis meses de reclusão, por fraude em licitação e encaminhou a Câmara a criação de 580 cargos com salários que beiram a afronta. Criticava a gestão terceirizada do HGP e em menos de 2 meses já elogia efusivamente através de seu secretário de saúde a súbita melhora no atendimento. Enquanto isso, os pacientes que padecem nos corredores aguardando atendimento não conseguem exergar essa melhora alardeada.

Num cenário de governo em que a memória do prefeito está nebulosa e se confunde com a consciência limpa, o Parauapebense começa a perceber que nada mudou e tem muita dificuldade para enxergar inocentes na gestão. Eleito como parte da solução, Aurélio oferece material para que seus próprios eleitores comecem a enxergá-lo como parte do problema da falta de rumo.


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