OMBÜDSMAN NA ASELC

OMBÜDSMAN (Definição)

  1. Jornalista, contratado de fora ou pertencente ao quadro de funcionários da empresa, que, de maneira independente, critica o material publicado e responde às queixas dos leitores. (Oxford Languages)
  2. Cargo profissional contratado por um órgão, instituição ou empresa com a função de receber críticas, sugestões e reclamações de usuários e consumidores, com o dever de agir de forma imparcial para mediar conflitos entre as partes envolvidas. (Wikipédia)

Pipocaram nesta semana nas mídias e redes sociais, imagens de uma paciente que há mais de 15 dias aguarda um tratamento no HGP. Se contorcendo de dor, ao fundo se ouve uma súplica desesperada cobrando providências. Após o ocorrido, soube-se quem filmou a paciente foi o marido, motivado por puro desespero.

Seria natural que depois da exposição de tamanho descaso, algum representante da ASELC fosse compelido a vir a público e esclarecer quais providências estavam sendo tomadas, afinal ela é a OSS que administra o HGP.

Porém após a divulgação do caso, quem apareceu com alguma coisa parecida com explicação nas mídias foi o secretário Marcos Vinícius, que fazendo pose de novidade se apressou em acudir a paciente, conduzindo a falta da resolução do caso para qualquer lugar, desde que os culpados sejam os outros. Na explicação dada, percorreu 2 caminhos para chegar sempre ao mesmo destino: Nada mudou.

Em um atalho verbal, falou no pretérito imperfeito como se tudo fosse parte de um passado distante que sumia de vista, culpando a própria paciente por não entender os procedimentos. Vendo que pegou mal, deu uma maneirada e afagando o marido, atribuiu todo esse alvoroço por uma “falha de comunicação” entre o HGP (leia-se ASELC) e os envolvidos.

Caminhando com seu raciocionio em outra trilha, culpou os “bloguezinhos” de oposição de espalhar mentiras e se mostrou a disposição para “esclarecer as incoerências que aparecem”.

Depois da fala do secretário, o espanto foi substituido pela certeza da dúvida. Segundo o que foi dito, a paciente esperava o procedimento por 15 dias, mas milagrosamente após a publicidade do marido, a cirurgia foi marcada para o dia seguinte. Se não procurasse a mídia, será que a rapidez da “delimitação da necrose” e a marcação da cirurgia seria a mesma?

Em uma frase que cabe dentro de um fôlego, deu a entender que a culpa de postar uma realidade que todos os moradores de Parauapebas estão carecas de saber é “intriga da oposição” e a dor dos que aguardam atendimento se resume a uma “incoerência”.

O desespero do pagador de impostos ao não ser atendido no único hospital público da cidade foi botada na conta da “falha de comunicação”. Tomara que o marido não seja o incoerente nessa história toda e não faça parte da lista da “oposição mentirosa”.

A secretaria de saúde está pendurada de cabeça pra baixo nas manchentes a muito tempo, mas o secretário Marcos Vinícius se esqueceu (ou lembrou de esquecer) que a ASELC está desde 2023 gerindo o HGP e sempre foi alvo de críticas, até por ele mesmo e seu chefe, Aurélio Goiano, que “enchia o saco do Yuri”.

Nas palavras do Aurélio, ele “tiraria essa bobônica” caso o atendimento não melhorasse. A doença citada fez sucesso na idade média por não ter cura e ser letal, mas Aurélio a ressuscitou para comparar com a atual gestão do HGP.

Mas, fazendo um pouco de justiça, o secretário não pode ser culpado sozinho, visto que ele não dorme no hospital para acompanhar o atendimento humanizado prometido (isso é papel de outra pessoa, lembram?), mas também de quem fiscaliza.

Quem é pago pra olhar o mal feito deveria ser chamado a público no primeiro mês junto com a ASELC para explicar o porquê todo santo dia os incoerentes pacientes insistem em postar suas agruras nas redes sociais numa espécie de reality macabro.

Se tudo está caminhando tão bem, uns defendem que tudo não passa de um blá-blá-blá dos pacientes que saem do conforto de suas casas apenas para ligarem seus celulares enquanto esperam atendimento. Outros que diriam que a perfeição do atendimento no HGP está muito próxima de ser atingida se houvesse apenas uma comunicação melhor. A contratação de um ombüdsman viria a calhar.

O secretário flerta com a falta de nexo e incoerência ao culpar a gestão anterior pelo caos deixado na saúde, mas insiste em andar de mãos dadas pelos corredores do hospital lotados de pacientes aguardando atendimento com a mesma OSS que fez parte da bagunça da gestão anterior.

Dias destes, todos da atual gestão festejaram a entrega de um serviço de neurocirurgia. É como se festejassem a instalação de um serviço de tanatopraxia na saúde, onde se maqueia o estabelecimento assistencial para se ter uma aparência melhor, mas por dentro já está morto.

Muito que bem, agradecemos pelo novo serviço, mas o povo do andar de baixo não espera muita coisa além de atendimento digno de acordo com suas necessidades, sem mídia e muito blá-blá-blá.


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