
Geralmente o sistema político e a mídia reservam 100 dias de tolerância aos novos governos. Como se fosse uma Lei “não escrita”, essa marca transcede a simbologia dos números e são nesses dias que o tom da administração é estabelecido e as transformações mais significativas são iniciadas.
Porém as circuntâncias negará a Aurélio essa lua de mel. O único consolo que se vislumbra é que na gestão Darci não se produziu nada melhor do que Aurélio foi capaz de entregar até agora. Outro ponto que deve ser levado em consideração é que o eleitor que votou no Aurélio podem ser categorizado em dois grupos:
-Os que votaram acreditando em “soluções fáceis” para Parauapebas que foram vendidas pelo próprio Aurélio e;
-Os eleitores que votaram no Aurélio Goiano não porque gosta dele e pelos seus méritos, mas sim pelos deméritos da gestão Darci.
Quando o primeiro grupo entender que inexistem “soluções fáceis” e o segundo grupo perceber que os deméritos que levaram o candidato Rafael Ribeiro amargar uma derrota se parecem muito com o que se vê hoje na atual gestão, a perda de legitimidade e o desapontamento virá muito rápido.E essa erosão de imagem já está acontecendo, apesar dos pesados investimentos em mídia.
Prometendo fazer uma gestão que contrastasse com a marca Darci onde o principal atributo seria a percepção de que nada seria como antes, Aurélio fez mais do mesmo. O excesso de caos havia transformado Parauapebas num lugar ideal para a implantação de um governo inteiramente novo, onde uma utópica cidade renasceria. Mas a gestão Aurélio, a caminho dos 100 dias, ainda não dispõe de uma marca. Dedica-se a reciclar os velhos costumes das antigas gestões, com nepotismo escrachado, falta de transparência e muita demagogia.
Isso é fácil de perceber ao ver que o atual governo não atendeu às expectativas pleiteadas antes de sua própria eleição, com críticas materializadas em vários setores. O governo se especializou em errar com maestria em uma série de medidas, como manter a SEGOV com um milionário orçamento na mão da própria irmã e manter a transparência das contratações de seu governo com a opacidade de uma parede.
Os resultados apresentados até agora não inspira coisas boas. Aurélio se guia pelos “likes” em redes socias e age com os olhos voltados para um eleitorado difuso e rarefeito. Esquece-se que deve governar olhando para a população Parauapebense como um todo.
Na cerimônia solene de abertura dos trabalhos legislativos de 2025, por exemplo, Aurélio compareceu com um dress code e linguajar de dar inveja a qualquer jagunço e com um discurso que vertia bile, acusou vereadores, sindicalista e mídia, uma prática antiga e já conhecida. Harmonia entre poderes, besteira!
Vistas as coisas da perspectiva de hoje, o problema não se limita à dificuldade de Aurélio de realizar um governo inteiramente novo que prometera em campanha. A questão é que a gestão Aurélio se parece cada vez mais igual a gestão Darci Lermen. Ele ainda não se deu conta disso porque se formou um cordão de puxa-sacos à sua volta que o o blinda da realidade. A maioria dos moradores sabe que nada de mal do que acontece hoje em Parauapebas seja pior diante do que poderia acontecer caso Rafael Ribeiro tivesse sido eleito e ter dado continuidade a uma desastrosa administração formada 100% pelo Darci.
O problema é que a sensação de alívio costuma ter um prazo de validade e essa mudança de direção de 360° do Aurélio levará todos nós ao mesmo lugar. A diferença é que as novas pessoas que enriquecerão às custas da atual SEGOV terão outro CPF.

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