ENCRENCA À VISTA

Quando qualquer contratação é celebrada sobre a égide da suspeita, alguma coisa de muito esquisita se consegue farejar no ar. Em Parauapebas essa regra nunca tem excessão e não precisou buscar muito para que essa premissa ganhasse força de certeza.

Como na região dos Carajás, toda boa intenção é sempre acompanhada de alguma perversão, o alvo da vez foi a manjadíssima contratação de merenda para os alunos da rede pública.

Sob a fumaça de um negócio milionário trançado sob regras opacas, contratou-se uma empresa de Goiânia (Impacto Comércio de Produtos Perecíveis e Transporte Ltda.) totalmente inapta para fornecer a alimentação das crianças. Indigesto, o contrato superava os R$ 14 milhões.

Suspeita, chegou a circular na mídia fotos da fachada da empresa que denotavam um claro aspecto de abandono. Na entrega da merenda, mais sinais de favorecimento: Armazenados no chão, se viam alimentos perecíveis acondicionados em caixas e em um ambiente sem climatização adequada, um verdadeiro descalabro.

Em política, o que é ruim sempre tem a possibilidade de ser piorado. Viu-se que a empresa teve seu objeto social modificado às pressas para se adequar ao fornecimento de material e até um olhar menos atento verificaria que os preços não resistiriam a uma boa investigação. Estratosféricos, o sobrepreço chegou a 87% em apenas um item. Como recebe verbas federais, é improvável que os camburões da policia federal deixem de fazer uma visitinha em breve.

Com tanta coisa vindo a lume, o contrato foi suspenso. Agindo apenas depois que a oposição já havia batido até cansar e levado o caso à justiça, o pseudoprefeito Aurélio fez cara de novidade e foi obrigado a rescindir o contrato com base no artigo 137 e 138 da novíssima Lei de Licitações, num instante em que a lama alcançava os tornozelos.

Em juridiquês, é como se colocasse a culpa na empresa pelo sobrepreço e pelas atitudes pra lá de suspeitas. Surpreendentemente ele ainda não gravou um vídeo para postar nas redes sociais para explicar o inexplicável. Ao celebrar esse contrato esquisito e colocá-los na zona de suspeição, Aurélio permitiu que a oposição trovejasse sobre sua cabeça. Algo está muito errado quando processos licitatórios tidos como certos, descambam para a suspeição com inquietante frequência.

Pouco a pouco, vemos um Aurélio exasperado, acuado por uma crise atrás da outra e produzida 100% por ele. Os joelhos sentem o peso das circunstâncias e o faz se ajoelhar diante da opinião pública. Enquanto isso, os adversários estocam papéis. Dizem que certa vereadora de oposição tem as gavetas pela tampa.

O cancelamento do contrato não elimina a necessidade de investigação. Houve inépcia ou desonestidade. Em qualquer hipótese, merecemos pratos limpos.


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