100 DIAS

Os primeiros 100 dias de qualquer governo são avaliados como um marco simbólico para que se analise o estilo de governo bem como sua capacidade gerencial e qual ritmo de execução das promessas de campanha. Neste momento, se consolida as equipes que auxiliarão o gestor na busca das metas prometidas e na estruturação de bases políticas e criação de laços com vereadores e lideranças.

Antes mesmo de completar 100 dias de governo, Aurélio Goiano enfrenta diversas críticas. A sua presença constante nas redes sociais contrasta com a falta de ações concretas, com uma atuação que gera questionamentos. E essa falta de ação nos primeiros meses de governo alimenta debates sobre os rumos da administração municipal.

Como num mundo de “faz de conta”, Parauapebas é maravilhosa apenas nas mídias sociais simpáticas ao atual governo, mas a realidade de quem caminha na cidade e enfrenta o cotidiano longe dos gabinetes com ar climatizado, a realidade é outra.

Ruas esburacadas e com um sistema público de saúde em frangalhos, o que se vê nas mídias sociais são infindáveis treinamentos, eventos e muita pirotecnia com os profissionais de saúde sem que nada de concreto seja apresentado na área da saúde para a população. Nos primeiros dias de governo, foram “doados” respiradores com registro vencidos na ANVISA apenas para satisfazer o ego dos gestores, uma verdadeira afronta com a população.

Na campanha, Aurélio prometeu molhar a camisa para resolver a ruína financeira e o descalabro da saúde. Sobre a corrupção, prometeu enterrar a SEGOV a ” 100 metros de fundura(sic)”. O que se viu foi a acomodação da própria irmã na secretaria que segundo palavras deles, serviu para enriquecer as pessoas que por ali passaram. Para resolver a situação financeira da cidade, teve a idéia de gestar a contratação de quase 600 pessoas que só não foi levada a cabo por determinação judicial.

Em seu secretariado, nomeou pessoas não-técnicas e/ou enroladas com a justiça. Essa semana, por exemplo, explodiu na mídia um caso gravíssimo de abuso sexual contra servidora pública perpetrado pelo secretário de juventude (SEJUV) e um assessor especial lotado na mesma secretaria. Quando se esperava um apoio da secretaria da mulher (SEMMU), ouviu-se um silêncio sepulcral. Nada de apoio à suposta vítima.

Dando de ombros aos servidores da saúde, Aurélio participou da reunião de negociação em pé e de braços cruzados, numa má vontade assombrosa. A impressão é que desde o início da gestão, o intuito foi de querer culpar os servidores públicos pela ineficiência e por todos os problemas enfrentados pelo município na área de saúde, causando constrangimento desnecessários. Talvez o prefeito devesse procurar o culpado na cadeira de titular da secretaria de saúde e na organização que atualmente administra o único hospital da cidade. Essa desqualificação dos servidores por parte do prefeito é típico do desespero de não saber resolver as mazelas da atual administração por falta de gestão.

Hoje, o cidadão de Parauapebas olha ao redor e só enxerga desordem urbana e desamparo. Ao lado do “buraco zero”, outra marquetagem da prefeitura de Aurélio, a “saúde humanizada” sobrevive na memória que a candidata a deputada deseja apagar apenas como uma nova e criativa definição para conversa fiada.

O prefeito midiático aponta para um futuro nebuloso. É de uma comodidade canhestra, pois o futuro não pode ser cobrado nem conferido por ninguém. O problema é que um prefeito como Aurélio, com um enorme passado que o segura para trás, não tem a minima condição de caminhar pra frente sem que o peso não o impeça de avançar.

Com três anos e nove meses para trazer um futuro digno para Parauapebas, Aurélio deveria fazer o que faz de melhor: olhar pro retrovisor. Mas não para apontar os erros da gestão Darci, mas sim os seus, que em tão pouco tempo se avolumam.


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