
A estória do bode na sala é muito conhecida. Ela fala sobre um homem que, extenuado pelas constantes reclamações da esposa, coloca um bode mal-cheiroso no meio da sala de sua casa por sugestão de uma amigo. Além da bagunça que causava, o cheiro era insuportável. Não demorou muito tempo para que todos da casa passassem a detestar o animal. Uma semana depois, o homem tirou o bode da sala e a limpou, criando uma harmonia familiar que nunca se vira antes. Essa parábola mostra que, na impossibilidade de resolver um problema, a opção mais fácil é criar artificialmente outro maior e depois o eliminar, para que todos fiquem felizes.
No caso de Parauapebas, o bode na sala atende pelo nome de ASELC, atual gestora do HGP. Sem pagamentos, vemos um serviço precarizado onde greves e paralizações de médicos prejudicam os cidadãos que buscam atendimentos. Vemos cirurgias sendo canceladas, exames não realizados e corredores cheios. Em uma cidade em que jorra dinheiro aos borbotões, a entrega de um serviço de saúde tão ineficaz é como se fosse um tapa na cara. Alguns diriam que é uma “crise fabricada”, onde a ASELC seria expurgada para acomodar outra OSS mais ao gosto do atual prefeito.
O grande “porém” é que na atual conjuntura, só um louco se aventuraria a assumir o hospital no meio de tantas incertezas financeiras e políticas. Como sabemos, a ASELC possui estreitas ligações com o deputado Sefer, aliado de primeira hora do governador Helder Barbalho, um elefante de boa memória, peso-pesado nos bastidores políticos e com a mão pesadíssima com pessoas ingratas.
Surfando na onda do marketing negativo da atual gestora do HGP, Aurélio Goiano percebeu que talvez consiga se livrar do bode chamado ASELC, mas ainda não sabe o que fazer com o elefante. Talvez não convém um embate com um adversário tão grande em um momento como esse, mas em se tratando de uma pessoa que não se destaca pelo “timing” em que toma suas desastradas decisões, tudo é possível.

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